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A história por trás do traço

   Minha infância foi marcada por dificuldades ao menos é o que minha mãe conta, pois muitas lembranças desse tempo se dissiparam com o tempo. O que nunca desapareceu foi a certeza do que eu amava fazer: desenhar.

O desenho sempre foi meu refúgio, minha alegria silenciosa, meu jeito de existir no mundo mesmo quando ele parecia duro demais. Cresci com esperança e com o propósito firme de transformar essa paixão em um caminho possível. Ao longo da vida, vieram obstáculos e novos rumos, mas uma coisa permaneceu intacta: a fé nos meus traços.

   Nem sempre foi fácil. Enfrentei críticas, desprezos e palavras duras que tentaram diminuir meu talento e meu valor. Ouvi mais de uma vez que aquilo que eu criava “não levaria a lugar nenhum”. E por um tempo... quase acreditei. Em um momento particularmente difícil, no auge de um trauma emocional, rasguei todos os meus desenhos  como se rasgar papéis fosse apagar as dores que me sufocavam.

Foi quando busquei ajuda. A psicologia me ofereceu abrigo, me fez compreender que o primeiro a acreditar deve ser sempre você. E foi nesse processo que reencontrei o menino sonhador que existia em mim  aquele que via magia em cada linha, em cada curva. Reergui minha arte como quem se reconstrói por dentro.

   Hoje, sou fruto desse recomeço. Cada forma que crio carrega uma história. Cada projeto que desenvolvo é um pedaço da minha verdade. Aprendi que os outros não definem meus sonhos. Aprendi que desistir seria silenciar a voz da criança que um dia pegou um lápis e ousou imaginar um mundo diferente.

   Estar aqui hoje é a concretização de um ideal que nasceu há muito tempo, num rabisco despretensioso. E se você tem um sonho  por mais distante ou impossível que pareça  acredite: ele é a essência da sua felicidade.

O traçado da arte.

   É na adolescência que o caos se instala, mas também onde a alma se expande, se reinventa e descobre seu próprio conceito. Sempre fui um sonhador, e foi nesse período intenso da vida que vivi muitas primeiras vezes: o primeiro beijo, as mudanças da puberdade, as primeiras grandes paixões. E em meio a tudo isso, um encontro mudou tudo, a arte.

   A arte me acolheu de braços abertos e nunca mais me deixou sair. Vivi manifestações artísticas que me atravessaram por inteiro: dança, pintura, escultura, teatro, música... Cada uma me revelava novas possibilidades de sentir, criar e existir. Quanto mais eu mergulhava, mais eu me sentia vivo.

   Aprendi caindo, aprendendo com os erros e celebrando os acertos. Aos poucos, tornei-me uma referência local, alguém que estava sempre ali  no centro da cultura, no compasso da arte viva da minha cidade.

   Fui premiado no ensino médio com um projeto de reciclagem onde transformei garrafas PET em calçados. Tive uma música autoral, sobre o desmatamento ambiental, selecionada na primeira etapa de um festival estudantil. Fui convidado por representantes culturais para apresentar projetos de dança. Lecionei arte em escola pública, desenvolvendo projetos de encerramento de semestre que levavam arte à sala de aula como transformação real.

   Promovi uma exposição cultural e artística com o tema “As Músicas do Rei do Baião”. Coreografei, por mais de um ano, as apresentações da quadrilha junina municipal. Pintei um quadro que me levou a representar minha escola por excelência expressiva. Estive presente em palestras, encontros regionais de educação e cultura, sempre com sede de aprender e principalmente, de compartilhar.

   Minha adolescência foi um palco. E cada experiência, um ensaio para o que viria depois. Aprendi que a arte não era apenas um talento, era meu idioma, meu modo de resistir e florescer.

   Hoje, levo comigo cada passo dessa jornada, como quem guarda um mapa de identidade. E continuo, com a mesma sede daquela época, criando e acreditando que a arte é, acima de tudo, uma forma de existir com verdade

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Antes de existir, cria-se.

   A vida adulta chegou com suas responsabilidades, suas cobranças, mas também com a clareza de quem amadureceu sem abrir mão dos próprios sonhos. Crescer é isso: aprender a caminhar, dia após dia, em direção aos seus objetivos, mesmo quando o caminho parece incerto.

   Hoje, mais maduro e experiente, percebo como cada ideia, cada rascunho, cada erro e acerto foram peças fundamentais na construção do que sou. Os traços se alinharam. Os rabiscos ganharam forma. E desse processo vivo de criação, nasceu a Criat.

   A Criat surgiu de um gesto simples o ato de desenhar. Mas não era só um passatempo: era um chamado. Com o tempo, aquela faísca virou conceito. A marca foi ganhando corpo, se moldando às minhas vivências, às quedas e às conquistas, até se tornar o que é hoje: uma extensão da minha própria alma criativa.

   Investir em educação foi o maior presente que pude me dar. Estudar, buscar conhecimento, me permitiu compreender o valor do que carrego: uma essência que resistiu ao tempo, à dor e às dúvidas. Aquele garotinho que rabiscava o mundo com os olhos brilhando continua aqui, agora construindo, com tijolos fortes e ideias vivas, um verdadeiro palácio de criatividade.

   A Criat não é apenas uma marca. Ela é a materialização de um sonho que venceu o descrédito, as críticas e a invisibilidade. É o espaço onde ideias deixam de ser apenas sonhos e se tornam palpáveis, reais, transformadoras. É onde a imaginação encontra função, e a arte encontra voz.

   Aos trinta anos, vejo diante de mim tudo aquilo que um dia foi apenas um desenho em papel: minha marca, minha história, meu manifesto criativo. Apresentar a Criat ao mundo é mais do que um ato profissional, é um grito de representatividade. Porque a Criat não é só mais uma marca. Ela é o que é. E existe para transformar.

Um verdadeiro artista não é aquele que é inspirado, mas aquele que inspira os outros

Salvador Dalí

Obrigado!

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